Quanto custa ter um animal de estimação?

Especialistas, ativistas, tutores e empresários explicam a importância do planejamento financeiro para estimar quanto será gasto com um pet. A resposta? Depende, mas prepare o bolso
Quanto custa ter um animal de estimação?

foto: Getty Images

A história é conhecida: sob a mira de um par de olhos pidões e sob clamores emocionados de filhos ou cônjuges, ele ou ela acaba adotando ou comprando um animal de estimação.

No impulso, sem pensar muito. Afinal, que mal pode haver em acolher um bichinho?

“Sempre cabe mais um” e “o amor resolve tudo”, não é mesmo?

Não, não é.

Para seguir na linha clichês-da-vovó, “De boas intenções está cheio o inferno”. Será que passa pela mente do enternecido adotante que um pet custa quase R$ 350 ao mês? E que essa média dobra nas classes A-B e ultrapassa R$ 1.000 na classe A?

Não me leve a mal. Amo animais – possivelmente mais do que aprecio seres humanos – e já tive três cachorros que mudaram minha vida. Inclusive minha atual “filha”, uma vira-lata resgatada que celebra seis anos hoje (parabéns, Flor!).

É que tão conhecida quanto a fábula da afeição é a do abandono. Há 30 milhões de bichos sem dono no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. E ONGs especializadas estimam que mais de um terço dos bichos adotados sejam devolvidos às ruas.

“Ter um animal de estimação é um compromisso enorme e duradouro. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Eles precisam do ser humano para tudo, e a pessoa tem que pensar bem antes de decidir”, reforça a apresentadora, ativista e empresária Luisa Mell.

Miau! — Foto: Getty Images

Miau! — Foto: Getty Images

Segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), que reúne empresas de produtos e serviços, e a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o país tem 54,2 milhões de cães e 23,9 milhões de gatos.

Incluindo na conta outros bichos, como aves, peixes ornamentais e répteis, o país tem quase 140 milhões de animais de estimação, a segunda maior população no mundo. A primeira são os Estados Unidos, com 300 milhões.

Quase metade (47%) deles estão no Sudeste, e quase um quarto (25%) estão em São Paulo.Leia também STJ decide que condomínio não pode proibir cães e gatos O que é um planejamento financeiro que deu certo?

Responsabilidade + família = planejamento

Passados 41 anos da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, está claro que a decisão de levar um bichinho para casa demanda amor e carinho, sim, mas também uma consulta à tríade:

  • dinheiro
  • tempo
  • responsabilidade

Seja para um singelo peixe beta ou um imponente golden retriever, o planejamento financeiro é essencial para praticar a posse responsável, um conceito cujo primeiro passo é a conscientização.

Luisa explica:

“Um animal vai viver por 15, 20 anos. Com o avanço da medicina veterinária, tem gatos que chegam a 25 anos. A pessoa tem que ter em mente que vai passar uma parte de sua vida cuidando de um ser que depende dela pra tudo, comer, beber, se divertir, ter cuidados físicos e emocionais. E que esse ser vai fazer xixi na sala, demandar passeios frequentes e te prender em relação a viagens.”

Depois da eventual convicção vêm as cifras propriamente ditas.

O gasto médio com cães no Brasil é de R$ 338,76, segundo o IPB. Esse custo varia conforme o tamanho do bicho. Cães pequenos (até 10 kg) custam R$ 266,18 ao mês; os médios (de 11 kg a 25 kg) consomem R$ 327,51, e os grandes (mais de 26 kg) geram gasto mensal de R$ 422,59.

Com gatos, o custo mensal médio é de R$ 196,56, segundo o IPB. Peixes custam R$ 66,50 ao mês (a conta considera dez peixes em um aquário de 40 litros) e aves custam R$ 7,80 ao mês cada uma.

A apresentadora e ativista Luisa Mell com seus cachorros Léo e Pinguinha — Foto: Divulgação

A apresentadora e ativista Luisa Mell com seus cachorros Léo e Pinguinha — Foto: Divulgação

“O cachorro é mais caro, porque demanda mais atenção, enquanto o gato é mais independente”, diz Rodrigo Albuquerque, CEO da Petland, rede de produtos para pets com 100 lojas em 17 estados.

“Se eu passar um fim de semana fora, não posso deixar meu cão sozinho, precisa de um hotel; se fosse um gato, poderia ficar”, detalha Albuquerque, dono de um buldogue francês chamado Bud.

A média de gastos varia conforme a região do país, sob influências como as flutuações nos custos de mão de obra e frete de produtos, e muda também segundo a classe social.

“Nas classes A e B, o gasto mensal fica entre R$ 600 e R$ 700; considerando-se apenas a classe A, passa de R$ 1.000 por mês”, diz o CEO da Petland.

Segundo ele, o gasto vem subindo em todas as faixas sociais, ao encontro de uma crescente afeição pelos pets que integra também serviços, como creches ou passeadores.

“Hoje, 61% de nossos clientes se referem a seus bichinhos como ‘filhos’; isso, somado ao estilo de vida nas grandes capitais, aumenta o ticket médio”, ele explica.

Gatos e bebês = "filhos" — Foto: Getty Images

Gatos e bebês = “filhos” — Foto: Getty Images

Nelo Marraccini, vice-presidente de comércio e serviços do IPB, reforça que o entendimento dos bichinhos como membros das famílias reforça a preocupação com a capacidade financeira.

“Nas últimas décadas, o animal foi tirado do quintal e trazido para dentro de casa, e isso tem implicações em higiene, saúde, alimentação, entretenimento… É sofisticado, há uma miríade de custos possíveis.”

Exemplo, ele diz, é a adoção de tapetinhos higiênicos, espécies de fraldas abertas para serem grudadas no chão e usadas pelos bichos no lugar de jornais.Leia também Neon lança ferramenta para monitorar gastos com Netflix, Uber e iFoodFábio Porchat conta o que sabe e o que NÃO SABE sobre dinheiro

Os gastos em detalhes

Coleiras, guias e focinheira
O equipamento básico de segurança pode custar pouco ou muito, a depender das marcas. Espere gastar entre R$ 30 e R$ 400.

Vacinas
Cães e gatos devem ser vacinados contra doenças – além da raiva, também giardíase, gripe, cinomose e leptospirose. Algumas prefeituras, como a de São Paulo, dão vacinação grátis, mas só contra a raiva. As demais requerem a vacina V10 uma vez ao ano, de R$ 150 a R$ 350.

Antipulgas, vermífogos e similares
Fundamentais para evitar não só pulgas como também carrapatos, que transmitem uma doença fatal, antipulgas custam de R$ 50 a R$ 150 e devem ser aplicados uma vez ao mês ou por trimestre, a depender da marca do produto. Mamíferos demandam vermífugos uma vez a cada três ou seis meses; eles custam de R$ 5 a R$ 50. Em regiões com incidência de leishmaniose, é preciso comprar uma coleira que afugenta o parasita.

Tapetes higiênicos
Têm custo unitário entre R$ 0,50 e R$ 3, e devem ser substituídos uma vez ao dia ou a cada dois dias; espere gastar cerca de R$ 50 por mês.

Alimentação
Rações simples custam entre R$ 5 e R$ 10 o quilo. As mais sofisticadas podem custar até R$ 300 o quilo. Leve em conta biscoitos e quitutes e calcule o gasto mensal com base no peso. Referência: um cão de 15 quilos consome cerca de R$ 100 ao mês.

É possível ainda alimentar seu cachorro com rações orgânicas ou “naturais”, preparadas com menos conservantes; nesses casos, o custo pode dobrar.

Banho e tosa
É possível dar banho em cães e gatos em casa. Se não for o caso, contabilize entre R$ 15 e R$ 60 para um banho por bimestre, no mínimo. A tosa é recomendada apenas para certas espécies, em intervalos mais longos, de três a seis meses, e custa entre R$ 30 e R$ 70.

Remédios, cirurgias, exames
De dores de ouvido a tumores, é muito comum que pets fiquem dodóis. E remédios, consultas e cirurgias custam caro; o custo médio varia de acordo com o profissional e a demanda. Daí a popularização de planos de saúde para pets, a custos entre R$ 30 e R$ 350 ao mês.

Castração
Defendida por ativistas para reduzir o número de abandonados, a esterilização pode sair de graça em ações públicas, entre R$ 100 e R$ 150 em mutirões de ONGs e entre R$ 700 e R$ 1.500 em clínicas.

Brinquedos, caminhas, roupas
Brinquedo é fundamental, diz Luisa. Ela ressalta que quem não tem dinheiro pode improvisar – pôr um biscoito dentro de uma meia velha, por exemplo. “E alguns cachorros sentem frio; não é uma questão supérflua colocar roupas”, comenta a ativista, dona dos cães Léo e Pinguinha.

Aliás: “Costumo brincar que peguei os cachorros mais difíceis do planeta: ela, agressiva, e ele, um destruidor de lares. Literalmente: comeu minha sala inteira! Ainda bem que apareceram pra mim, porque teriam sido devolvidos mil vezes… Mas eu não ligo.”

Cachorros têm demanda maior por brinquedos e atenção — Foto: Getty Images

Cachorros têm demanda maior por brinquedos e atenção — Foto: Getty Images

Passeadores, adestradores e creche
Alguns cães só fazem xixi e cocô na rua, e mesmo os que fazem em casa precisam sentir cheiros e ver outros bichos. “Vai ter que sair, faça chuva ou faça sol; é preciso ter isso em mente, em especial quem vive sozinho”, diz Luisa.

Dessa demanda surge outra, ligada à falta de tempo dos donos (ou tutores, como preferem os ativistas), que é o apelo a passeadores, os profissionais que buscam o animal, dão uma volta – entre 1 hora e 3 horas – e o entregam de volta. O preço varia muito, de R$ 20 a R$ 100 por passeio.

Luisa também cita o adestramento, importante em um contexto em que pessoas e animais dividem espaços cada vez mais exíguos em prédios, condomínios e áreas públicas.

Também é cada vez mais comum que donos deixem seus cães durante parte dos dias em creches, também chamadas “day care”. O custo desses serviços varia muito, de R$ 400 a até R$ 1.500 por mês, segundo cinco creches consultadas pelo Valor Investe.

Tempo é dinheiro?

Embora não exista um levantamento sobre a quantidade de horas demandadas, Albuquerque, da Petland, levanta a questão do tempo gasto – ou investido? – em um bichinho de estimação.

“Pela experiência no segmento e por ser dono de cachorro, calculo uma dedicação diária de no mínimo 1h30, entre levar para passear, alimentar, fazer limpeza e entreter o pet”, ele diz.

Adotar ou comprar?

A pressão financeira é um dos fatores que mais motivam abandonos de animais, que, como vimos, são um problema grave no Brasil, onde há mais de 30 milhões de cães e gatos nas ruas.

Na falta de dados confiáveis sobre a incidência, serve a comparação; nos Estados Unidos, 30% dos animais adotados voltam às ruas, e o índice cai a 2% no caso de bichos comprados.

Daí que Albuquerque se equilibre entre a militância pela adoção de animais sem raça definida (SRDs, os populares vira-latas) e uma defesa da compra responsável de pets “de raça”.

“Adotar é um ato de amor, mas com responsabilidade”, ele diz. “Muita gente pega cachorro sem saber o tamanho que vai ficar, e cresce o número de animais grandes em apartamentos de 50 metros quadrados; essa pessoa poderia ter investido em um cãozinho de raça.”

Adoção de pets é uma causa forte e em ascensão — Foto: Getty Images

Adoção de pets é uma causa forte e em ascensão — Foto: Getty Images

Ele também destaca a utilidade de certas raças como cães guias ou terapeutas (para casos como depressão), e critica grupos que promovem adoções a partir de triagens “superficiais” dos potenciais futuros tutores.

“Muitos eventos celebram altos resultados de adoções, mas ignoram o índice de retorno [às ruas]. As ONGs mais sérias cobram entre R$ 50 e R$ 150 do adotante; é simbólico, mas pôr a mão no bolso faz a pessoa controlar os impulsos”, diz o CEO da Petland, que promove 170 eventos de adoção por ano com 23 ONGs.

Luisa Mell também defende a conscientização, mas advoga pela adoção. Primeiro, porque não vê animais como produtos. Segundo, porque há bichos aos montes precisando de adoção.

Terceiro, ela diz, porque comprar animais fomenta uma “indústria dos criadores” que, não raro, é feia quando vista de perto – foi assim em ação recente de seu instituto, na qual mais de 1.700 cães foram resgatados de um criadouro que fornecia filhotes para redes de petshops.

“Quando você compra um pet, pode estar financiando crueldade. Há pouco fiz uma abordagem a pedido da polícia e nos deparamos com uma mescla de Carandiru e campo de concentração. Imagine uma gaiola onde o cão não pode se virar, fica na mesma posição a vida toda, procriando. Não toma sol, não passeia. Muitos estavam cegos de tanto se baterem tentando escapar. Não se pode generalizar e é claro que há criadores legais, mas, no geral, por trás de um filhote fofo há dor e sofrimento.”

Se mesmo assim você quiser comprar um animal, pesquise junto a veterinários e sites o preço médio da raça e fuja de valores muito baixos – são sinais de maus-tratos para maximizar lucros.

A apresentadora e ativista Luisa Mell em seu instituto com cães resgatados — Foto: Divulgação

A apresentadora e ativista Luisa Mell em seu instituto com cães resgatados — Foto: Divulgação

Os preços dos cães variam muito: de R$ 1.000 a R$ 6.000 por um popular bichon frisé a até R$ 2.500 a R$ 12.000 por um buldogue francês.

Gatos de raça também custam caro. O persa vale cerca de R$ 2.000, e o bengal pode custar até R$ 15.000.

Esse negócio é o bicho

As cifras impressionam também na ponta dos fornecedores, a chamada “indústria pet”, que movimentou R$ 34,4 bilhões em 2018 no Brasil, segundo o IPB, alta de 4,6% frente a 2017.

Desse total, 68,6% são alimentos, 7,7% são gastos veterinários e 15,8% são serviços, segundo a Abinpet, que estima o gasto no mundo em US$ 105,3 bilhões (cerca de R$ 425,75 bilhões).

Os R$ 34,4 bilhões no Brasil representam 0,36% do PIB brasileiro e supera segmentos importantes, como o de utilidades domésticas e o de automação industrial, inclusive na quantidade de empregados. Segundo o IPB, o setor já emprega mais do que a indústria de linha branca, e essa capacidade de absorver mão de obra não deve sofrer tanto com a crescente substituição por sistemas digitais.

“Os donos de pet querem ouvir, não dá para automatizar esse aconselhamento”, diz Marraccini, do IPB. Prova disso, ele diz, é que o comércio eletrônico representa apenas 2,7% das vendas do setor.

Gostamos de pets

Aqui no Valor Investe, somos “pais”, “mães” e “irmãos” orgulhosos. Conheça alguns dos animais de estimação cujos gastos de tempo e dinheiro inspiraram essa reportagem. Sem contar o amor por eles que é infinito.

Nala e Bibi

Nala e sua tutora, a repórter Naiara Bertão — Foto: Acervo pessoal

Nala e sua tutora, a repórter Naiara Bertão — Foto: Acervo pessoal

Nala versão "baby" — Foto: Acervo pessoal

Nala versão “baby” — Foto: Acervo pessoal

Bibi refletindo sobre seus rendimentos; "acho que preciso diversificar mais" — Foto: Acervo pessoal

Bibi refletindo sobre seus rendimentos; “acho que preciso diversificar mais” — Foto: Acervo pessoal

Gata Louca

A tranquilíssima Gata Louca, da repórter Weruska Goeking; "Alegria da casa. Vem me acordar quando eu não levanto após o despertador tocar" — Foto: Acervo pessoal

A tranquilíssima Gata Louca, da repórter Weruska Goeking; “Alegria da casa. Vem me acordar quando eu não levanto após o despertador tocar” — Foto: Acervo pessoal

"Hoje a bolsa estava muito instável..." — Foto: Acervo pessoal

“Hoje a bolsa estava muito instável…” — Foto: Acervo pessoal

A repórter Weruska Goeking e sua Gata Louca — Foto: Acervo pessoal

A repórter Weruska Goeking e sua Gata Louca — Foto: Acervo pessoal

MIaaaaaauuuu! — Foto: Acervo pessoal

Flor

Azar no jogo, sorte no amor: Flor e seu tutor, o repórter Rafael Gregorio — Foto: Acervo pessoal

Azar no jogo, sorte no amor: Flor e seu tutor, o repórter Rafael Gregorio — Foto: Acervo pessoal

"Vou investir nesse parquinho" — Foto: Acervo pessoal

“Vou investir nesse parquinho” — Foto: Acervo pessoal

Aurora, Glória, Teresa e Éctor

Aurora e Teresa, gatas do repórter Gustavo Ferreira — Foto: Acervo pessoal

Aurora e Teresa, gatas do repórter Gustavo Ferreira — Foto: Acervo pessoal

Glória, gatinha do Gu — Foto: Acervo pessoal

Glória, gatinha do Gu — Foto: Acervo pessoal

Gustavo Ferreira e Éctor preocupado com a cotação dos ossinhos — Foto: Acervo pessoal

Gustavo Ferreira e Éctor preocupado com a cotação dos ossinhos — Foto: Acervo pessoal

Teodoro

A repórter Nathália Larghi e Téo brincando no parquinho — Foto: Acervo pessoal

A repórter Nathália Larghi e Téo brincando no parquinho — Foto: Acervo pessoal

"Manda uma nude?", "Mando." — Foto: Acervo pessoal

“Manda uma nude?”, “Mando.” — Foto: Acervo pessoal

Téo: "Mamãe me dissuadiu de investir em criptomoedas, é muita volatilidade" — Foto: Acervo pessoal

Téo: “Mamãe me dissuadiu de investir em criptomoedas, é muita volatilidade” — Foto: Acervo pessoal

Lola

A repórter Isabel Filgueiras e Lola: "Foi a estrela do meu casamento", explica a repórter — Foto: Acervo pessoal

A repórter Isabel Filgueiras e Lola: “Foi a estrela do meu casamento”, explica a repórter — Foto: Acervo pessoal

Lola checando as últimas notícias sobre o PIB no Valor Investe — Foto: Acervo pessoal

Lola checando as últimas notícias sobre o PIB no Valor Investe — Foto: Acervo pessoal

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